terça-feira, 13 de abril de 2010

ALGUNS FIOS DO PERÚ

AINDA TENHO ALGUNS FIOS QUE TROUXE DO PERÚ. AS OVELHAS SÃO CRIADAS SOLTAS E NAO COMEM AGROTÓXICO, PQ NAS REGIÕES ONDE COMPREI, PUNO E VALE SAGRADO, SE ACREDITA QUE O A TERRA É DESTRUIDA SE O PLANTIO E OS ANIMAIS NÃO FOREM TRATADOS DA MANEIRA TRADICIONAL. ESSES ANIMAIS COMEM A SOBRA DAS COLHEITAS, AVEIA, QUINUA E OUTROS CEREAIS, PASTAM DURANTE O DIA E A NOITE SÃO RECOLHIDOS, UMA COISA CURIOSA É QUE SÃO TRATADOS COMO ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO. ELES DIZEM QUE NÃO PRECISAM DE CACHORROS PORQUE NÃO TEM LADRÕES E QUANDO ALGUEM ROUBA ALGUMA COISA É LEVADO EM PRAÇA PÚBLICA E SURRADO, PARA APRENDER A TER VERGONHA. UM MÉTODO QUE PODE SER QUESTIONADO, MAS QUE NESTE POVOADO FUNCIONA.


 NO YOUTUBE PRA VCS VEREM COMO ESTES FIOS  SAO PRODUZIDOS E TINTOS.


 http://www.youtube.com/watch?v=wNCFHsegXKg

 http://www.youtube.com/watch?v=cwtNX_VW2sk

http://www.youtube.com/watch?v=ebOWOOpXEvg

NO ULTIMO A DEMOSTRAÇÃO ESTA  BEM MAIS COMPLETA
AGORA OS FIOS

2 CABOS - 100% LÃ ANDINA ORGÂNICA -
MEADAS COM APROXIMADAMENTE 350 GRAMAS
COR NATURAL



1 CABO - 100% LÃ ANDINA ORGÂNICA - PREÇO POR KILO
MEADAS COM APROXIMADAMENTE 290 GRAMAS -
COR NATURAL



1 CABO MESCLADA - 85% NATURAL 15% CINZA NATURAL
100% LÃ ANDINA ORGÂNICA - PREÇO POR KILO
MEADAS COM APROXIMADAMENTE 220 GRAMAS -



1 CABO - 50% LÃ ANDINA ORGÂNICA 50% ALPACA - PREÇO POR KILO
MEADAS COM APROXIMADAMENTE 320 GRAMAS -
COR NATURAL


1 CABO - 100% LÃ ANDINA ORGÂNICA NATURAL FIADA JUNTO COM LÃ PRETA
PREÇO POR KILO
MEADAS COM APROXIMADAMENTE 130 GRAMAS
COR MESCLADA, NÃO FAZ DESENHOS OU LISTRADOS


ESTES FIOS SÃO SUPER MACIOS E MANTEM O CHEIRO DA LÃ PURA E UM POUCO DE LANOLINA, A MAIORIA PODE SER TRABALHADA EM AG 4MM A 4,5 MM. OS CHALES FICAM LINDOS NA ALPACA LÃ.

COLONIA DO SACRAMENTO

PEGAMOS UM ONIBUS DE LINHA NA RODOVIARIA, EU CHEIA DE MALAS COM FIOS, A SOSSO QUERENDO ME ESGANAR, A BAGAGEM ERA TANTA QUE TIVEMOS QUE TOMAR UMA TAXI DO HOTEL ATÉ A RODOVIARIA, 2 QUARTEIRÕES.
DEPOIS DE 2 HORAS MAIS OU MENOS CHEGAMOS A UMA CIDADEZINHA MUITO LEGAL, DA EPOCA DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA, TUDO MUITO PRESERVADO E LIMPO.
PRA PASSEAR ALUGAMOS UM CARRINHO DE GOLF, FOTOS DA CIDADE E PASSEIOS A SEGUIR.
A VIAGEM PARA BUENOS AIRES SE FAZ DE BUQUEBUS, PORTO PERTINHO DO HOSTAL, FOMOS DE CARRINHO DE GOLF.
NAS FOTOS ALGUMAS IMAGENS DA CIDADE E DE PASSEIOS.
APROVEITEM QUE É TUDO MUITO BONITINHO.

 NÓS E NOSSO SUPER CARRINHO DEVIDAMENTE PILOTADO PELA SOSSO, EU ESTOU COM A CARTA VENCIDA, MAS ACHO QUE NÃO TERIA CORAGEM DE PEGAR A COISA, ELA É HIDRAMATICA.


IMAGENS VARIADAS DAQUILO QUE ACHAMOS LEGAL.

GOSTAMOS DESTA CIDADE TAO SIMPATICA, FOI  LEGAL CONHECER.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

BUENOS AIRES

CHEGAMOS POR COLONIA DE BUQUEBUS E JÁ FOMOS ENROLADAS NO TAXI. O HOSTAL É MUITO LEGAL, TINHAMOS DIREITO A CAFÉ DA MANHÃ, BANHEIRO PRIVATIVO, AR CONDICIONADO, 2 CAMAS  DE SOLTEIRO, UM AMBIENTE DIVERTIDO E JOVEM.
A EXPERIENCIA DE FICAR EM HOSTAIS FOI BEM LEGAL, EU RECOMENDO, SAI MUITO MAIS BARATO.
 TINHA GENTE DE TODO CANTO DO MUNDO E UNS TORCEDORES FANATICOS DE UM TIME DA ARGENTINA, NO DIA SEGUINTE DEVERIA TER UM JOGO TIPO SÃO PAULO E CORINTIAS, OS  RAPAZES ESTAVAM EM FESTA, TEVE ATÉ PARRILHA.
UM DETALHE IMPORTANTE, A ARRUMAÇÃO DAS MALAS COM OS FIOS, SÓ FALTAMOS CHAMAR ALGUEM PRA PULAR EM CIMA.

AQUI ANDAMOS DE METRO TODO O TEMPO, TAXI NESTA CIDADE É UM PROBLEMA, UMA GAROTA VOLTOU DA BALADA DE TAXI, FOI ROUBADA E AGREDIDA, NO METRO MUITAS VEZES ANDAMOS DE GRAÇA, GREVE LÁ É ASSIM - ABRE A CATRACA.
EU NÃO GOSTEI MUITO DA CIDADE, MUITO DECADENTE, SUJA, TODO MUNDO QUERENDO TE ENROLAR, MAS OS FIOS..........

ENTÃO VAMOS AOS FIOS, DEPOIS DE MUITA PESQUISA E COTAÇÕES DE PREÇO, CONSEGUI ACHAR FIBRAS NATURAIS, LÁ TAMBEM É INFESTADO DE FIBRA SINTÉTICA.
VALE UM COMENTÁRIO, ESTE FORNECEDOR TRABALHA MUITO COM FIOS ITALIANOS,
CONSEGUIMOS  FIOS MUITO LEGAIS POR BOM PREÇO.

MOHAIR DONNA - 80% MOHAIR 15% LÃ 5 % NYLON -
ROSA FORTE E ROSA VELHO



UM FIO MUITO LEGAL, COM TITULO MAIS GROSSO DO QUE ESTAMOS ACOSTUMADAS E MUITO PELO, MAS DIFERENTE DO QUE ESTAMOS ACOSTUMADAS, O PELO NÃ FICA TÃO SOLTO NO FIO, É MUITO MACIO.
MEADA 200 GR -
CORES - ROSA ANTIGO, ROSA FORTE,O AMARELO ACABOU

FLAME FINO DE ALGODÃO - 100 % ALGODÃO -
MEADAS DE 150 GR
CORES -  VERDE AGUA, ROSA CLARO, ROSA FORTE, AMARELO, LARANJA, CORAL, AZUL TURQUESA
EU PIREI POR ESTE FLAME, ELE É DELICADO E MACIO, TOTALMENTE DIFERENTE DO QUE TEMOS POR AQUI, ACHO QUE MALHAS PARA MEIA ESTAÇÃO OU CHALES VÃO FICAR LINDOS.



MERINO - 100 % MERINO -
MEADAS DE 140 GR
CORES - TERRA,CARAMELO
OUTRO FIO COM TEXTURA DIFERENTE, SUPER MACIO, UMA TORÇÃO LEGAL, EU ADORO TECER COM MERINO, FARIA COM ELE QUALQUER TIPO DE PEÇA.

 



AGORA AS MAIS LINDAS  E EXCLUSIVAS, POR MEDO DO PREÇO SÓ TROUXE 3 MEADAS DE CADA.

VERSATILE - PESO ENTRE 140 GR E 210 GR -
CORES - PRETO E MARRON



MONTEVIDEO

Depois de muita preguiça pra voltar a postar fui cobrada a colocar no blog os fios de trouxe de Montevideo e Buenos Aires.
Primeiro a parte engraçada da viagem, fomos visitar o bairro sul em Montevideo, fui furtada, um moleque me levou 2 dolares e o celular.Uma moça prontamente me socorreu com agua, telefone e pomada pro machucado que ficou no pescoço, a sosso e eu estavamos apavoradas! Quem manda se meter onde não deve!
 Então vale o aviso, não se metam no bairro sul.

Eu adoro a cidade, é limpa, civilizada, andamos de bus o tempo inteiro ( 17 pesos =  R$1,70 ) até do aeroporto ao hotel fomos de onibus, eta viagem economica.
Em Montevideo se come super bem por mais ou menos 30 reais, com vinho, carne, batata ou salada. Claro que eu sempre fico no vinho.
Algumas fachadas da cidade.

Um passeio imperdivel é andar pela cidade velha até chegar no mercado do porto, onde se come muitooooooo bem, nossos atendentes foram engraçados e tiramos algumas fotos, que talvez possam ser vistas no blog da Sossso.
Na cidade encontramos uma ótica com uma vitrine antiga cheia de traquitanas, fotos da rainha .

Uma vista do nosso hostal, ele é bem melhor que a foto.

Outro passeio legal é pegar o buquebus e ir ate Colonia, a cidade é uma gracinha, o hostal é super bem localizado, bem perto de tudo. O legal aqui é alugar um carrinho de golfe e passear pela cidade, nós nos divertimos muito, um adendo, no hostal só tinha cama de casal, dormimos de conchinha.

De Montevideo trouxe os seguintes fios

MERISOFT SOLID - 100 %Merino -
100 gr por meada -180 m
CORES - PRETO E CINZA



KID MOHAIR SOLID - R$ 30,53 - 50%Kid Mohair 50% Nylon -
50 gr por meada - 224 m
COR - MARROM

MERICASH - 80%Merino 20% Cashmere -
50 gr por meada - 239 M
COR - NATURAL


BALPACA TAPE - 100% Baby Alpaca -
50 gr por meada - 90 m
COR - MARROM, CINZA E BEGE


TROUXE TAMBEM FIOS DE UMA FIAÇÃO NOVA QUE CONHECI E AS MENINAS DO GRUPO FIZERAM UM TESTE PRA MIM, ELAS APROVARAM, EU COMPREI.

MERINO SEDA - 60 % MERINO 40 % SEDA -
200 METROS - 100 GR.
CORES -  NATURAL, UVA, CORAL




TRHEE PLY - 100 % MERINO -
247 METROS - 100 GR
CORES - JEANS, CORAL, PRETO

MERINO LACE - 100 % MERINO -
384 METROS - 100 GR - 
CORES - CORAL, JEANS, PRETO, 1 MEADA AZUL MARINHO



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Dia 5 - 27 de Agosto 2009 - Ilhas do Titicaca

As meninas chegarm, mortas de cansaço da viagem, a noite fizemos uma oferenda a pacha mama, chegamos no hotel de madrugada, hora de acordar











7 da manha, eta terra onde se acorda cedo!
Café da manhã com direito a alpacas no mini zoo, muita granola de quinua, tudo maravilhoso e animado.
Estamos alegres apesar de termos dormido pouco, a adrenalina nos faz não ter muito sono. Chega nossa super van, exclusiva pras princesas e la vamos em direção ao porto tomar a nossa lancha.
 




Uma vista da cidade de Puno, assim mesmo, cor de argila e inacabada! Não parece que estamos em outro  tempo?





As princesas no seu barco exclusivo, foi otimo, os outros turistas que estavam em nosso barco, sem direito a guia exclusivo e nós com o super Moises em um barco só nosso, hora de se sentir muito especial.
Demos a estes pequenos luxos um nome, cositas de Armando.
 
 Tudo aqui é feito de totora, um junco do Titicaca, ela serve até pra comer!
no entanto quando não tem turistas, na parte da tarde, eles queimam a totora velha, é fumaça o tempo inteiro, acabei por ficar com raiva dos uros, depredam o meio ambiente, só nesta ilha é que vimos esta  falta de preocupação, nas outras ilhas o meio ambiente é respeitado.
Um hábito peruano estranho, o cui. Os bichinhos são criados como animais de estimação e depois comidos!
Cara de tédio e depressão! coisa boa viajar e deixar de pensar na vida por uns dias,só diversão! Inca Cola, uma bebida com cor de xixi e gosto de Tubaina, unanimidade no Peru, único lugar do mundo onde ela é mais bebida que a coca, eu nao provei, sou contra refri, prefiro chicha, cerveja ou vinho, não dão celulite!
Subida pra Amantani, claro que o desembarque da lancha é daquele jeito improvisado, subindo e andando sobre as outras lanchas, mas o moises la estava nos ajudando, ele foi mais que nosso guia, foi nosso papito nestes 2 dias, adoramos o guia.
 A paisagem é linda e a subida ingreme, pausas pra descanso, eu sempre atrasada em relação ao grupo e as meninas, coisas da idade e do cigarro. 

 Portal de entrada da cidade, agora vamos para nossa hospedagem, casa de uma familia, vamos ver o que nos espera nesta aventura.
Nossa sala de jantar, comida deliciosa, pão feito em casa, sopas com ótimo tempero, comida no café da manhã, chá de coca com munha. Quarto bem legal, banheiro com vaso sanitário de cimento, uma coisa casinha ao lado, ai a coisa complicou, banho é claro só de paninhos e bacia. Depois do banheiro turco eu já estava achando um luxo ter vaso sanitáio, afinal tem que aprender a desapegar!!!!!!!!!!!
Por do sol - vista da nossa casa em Amantani, sem direito a ratones correndo pela cozinha, os outros brasileiros que estavam no grupo a Paula e o Yuri tiveram o prazer de vivenciar esta experiencia gratificante. Eles se juntaram a nós, são estudantes de medicina, moram em Manaus, super divertidos, o Yuri um amor de rapaz, sempre pronto pra ajudar a gente subir e descer morro, ele eu eu morriamos de falta de folego juntos, isso que é solidariedade. A pati, a lucimara e a Paula, pareciam gatos, 7 vidas e 14 folegos.
Nós na lancha passando protetor nos lábios do Yuri, tem que cuidar bem ou quem vai nos dar a mão nas subidas e descidas, ao lado dele a super Paula. Adoramos os 2 e queremos voltar a ve-los.

sábado, 12 de setembro de 2009

Dia 4 - 26 de Agosto 2009
Ilha de Taquile - Titicaca 

7 horas da manhã - hora de despertar, que normalmente seria uma tortura aqui se torna normal, afinal durmo no máximo às 9 da noite, totalmente vencida pelo cansaço.  Almoçamos o café da manhã e descemos a respiração fica ofegante, descer ainda é fácil a grande confusão é qdo tenho que subir. 
Vou ter uma demonstração dos alimentos ali produzidos e de como eles processam a lã, incluindo, morram de inveja, tingimento natural.
Tudo super arrumado, preparado para me receber, me sinto uma rainha, com direito a 1 mulher fiando, 1 tecendo em tear, barracas com produtos artesanais para venda, o Sr. Alípio e seu sogro Sr. Isidoro ( mestre de tricot na escola local), produtos agrícolas, moinho de pedra, plantas locais, que mais eu poderia querer neste momento.
 
Eles lavam a lã de carneiro ou alpaca com um cacto que cresce por toda a ilha, ele é moído em um moinho de pedra, adiciona água fria coloca a lã e chacoalha, não é que a danada fica limpa, sem o fedor do carneiro e com a lanolina, é um sabão natural, usam também nas roupas, corpo, adoreiiiiiiiiiiiiii. 
O tingimento é feito com plantas, moída ou ralada, água quente, ferve por uns 30 minutos e pronto, o tingimento acabou, o interessante é que de fato funciona, tem solidez ao sol, e a lavagem, tenho uns chullos que estão comigo há uns 15 anos, já lavei varias vezes e a cor continua a mesma. Um aprendizado muito legal, mas que não é viável por aqui - imagina sair catando planta na cidade, ou 
 plantar no apto! Acabo arrumando uma confusão tão grande com o marido que já teve uma parte do apartamento invadida com as minhas poucas coisinhas
Estou agitada animada, compro uns chullos tradicionais, bem caros se comparados a outros, mas são para referencia, tenho que olhar o direito e o avesso pra poder me lembrar do que o Sr Isidoro foi me falando, os desenhos são lindos e bem coloridos, mas tem uma delicadeza complicada de entender, só mesmo tecendo uma vida pra conseguir este equilíbrio. É impressionante ver os homens tecendo e conversando, o fio fica no pescoço, uma cor de cada lado, não tencionam com a mão, ele fica solto e o cara vai tricotando os desenhos, as vezes mais de um na mesma carreira, me coloquei uma meta pra este ano, vou treinar as minhas mãos e aprender a tecer jackard direito, o estimulo já foi dado, agora é treino.
 Meio dia – pontualmente a hora do almoço, hj temos truta, arroz e batata, além da sopa, eu adoro sopa, qdo criança na casa da minha avó tinha sopa no almoço e no jantar, todos os dias, me reconforta. Depois do almoço um descanso merecido, do lado de fora da casa rodeada por kantutas coloridas olhando o lago, coisa boa, a digestão fica fácil e feliz.
O tempo passa vagarosamente, o ar é diferente, frio, leve e sem cheiro. Não existe barulho é como se fosse possível ouvir o silencio. Ficar olhando e ver o céu refletido no azul do lago, às vezes um burro urra, uma sensação de paz vai invadindo a alma é um prazer imenso poder desfrutar esta experiência, ela é olfativa, visual, sensorial, mas principalmente espiritual.
 
Hora de subir um apu ( montanha ), aqui elas são sagradas, vamos para um bem alto, umas 5 ou 6 pessoas, elas vão caminhando bem rápido e a subida é bem íngreme e claro cheia de pedras, uma caminhada de uns 40 minutos pra mim, chego morta... nos sentamos em umas pedras bem na beirada do morro, olha ai o medo de cair, meu lugar é ao lado do mestre que vai me ditando o que devo tecer, tecem pelo lado do avesso, tudo em tricô, sempre com 5 agulhas, muito finas, diferente das nossas, um lado com ponta de crochê o outro com ponta de tricot, tentei comprar mas não consegui, vou pegar umas de tunisiano e transformar, quero tentar com elas, o Isidoro jura que fica muito mais fácil. Como ele está acostumado a ensinar crianças não tenho problema em fazer o que ele pede, ele dita e eu faço, sem complicação, claro que o avesso bem feito é tão importante como o direito, uma questão de orgulho saber tricotar com perfeição.
Uma foto do Sr Isidoro e suas agulhas, ele tem orgulho do seu oficio, da sua nacionalidade, das tradições do seu povo e principalmente da sua família, isso me faz pensar somos tão      “civilizados“ e os nossos valores fundamentais? Como andam? A simplicidade em querer uma casa de adobe num monte super alto, onde vc tem que subir a pé numa altitude de 4 mil metros, num clima onde o vento dos Andes começa as 5 da tarde e ai tudo gela, onde a água é carregada, sem aquecimento, a eletricidade é gerada por painéis solares, é tão menos conforto do que temos e me parece que são muito mais equilibrados e tranqüilos. Será que nos somos mesmo tão civilizados? Que somos mais felizes por abrir a torneira e a água sair quente? O Alípio é o alcaide rural de Taquile, o mandato é de um ano, elenão recebe salário por isto, controla a agricultura da ilha e por isso recebe na colheita 1 kilo de alimento de cada morador, para ele é um privilegio ser o alcaide, penso que eu fugiria deste cargo achando que só me traria trabalho e transtorno.


Ai esta o pq desta viagem, refletir sobre a vida, redefinir valores, sentimentos, emoções, alguma coisa a resgatar... De alguma maneira eu senti que precisava estar aqui, embora o momento não fosse o ideal, mas acertei na decisão, eu estava precisando muito desta vivencia.
 ABAIXO UM LINK QUE FALA SOBRE OS TECIDOS DE TAQUILE


ILHA DE TAQUILE - TEAR E TRICOT  

O dia vai pasando e tenho que ir embora, a lancha tem hora certa pra sair. 


Vai chegando a hora de voltar a Puno, tomar um banho, coisa que nao faço tem 4 dias, à noite a guia Ana vai me pegar no hotel e levar pra buscar as meninas no aeroporto de Juliaca, 1 hora de carro, o cair da tarde mostra que a noite vai ser bem fria, a viagem se São Paulo até Puno é muito cansativa, horas em Lima esperando a hora de embarcar. 
Sinto ter que ir embora, ficaria por aqui mais um tempo, ando precisando da paz que encontrei. 
3 horas na lancha e vamos chegando a Puno, totora por todo lado, aqui o lago é poluido, mas não deixa de ser belo.
8 da noite - banho tomado, cabeça lavada, perfume, casaco amarelo contra o frio ( a pati detesta este casaco) estou ansiosa com a chegada, elas não saem nunca, aqui se abre mala toda hora, tem alguma coisa de terrorismo voltando então a revista é bem rigorosa. Finalmente elas aparecem, cansadas e felizes, abraço a pati como se não a visse há muito tempo.
Esta noite vamos fazer uma oferenda a Pacha Mama e ler folhas de coca.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Dia 3 - 25 de Agosto 2009
Peninsula de Chucuito - Do Povoado de Karina para Taquile ( no meio do Titicaca )



A noite foi longa e gelada, meu pé doi, esta latejando. Em uma hora qq da manha alguem entra en mi hospedaje acende a luz e fala alguma coisa, nao entendi nada, pedi para descansar mais um pouco, tinhamos um passeio de barco programado até uma pedra que tem um portal, eu só tenho vontade de dormir. Mais tarde um pouco



- 7 horas da manhã  - entram novamente e acendem a luz, aqui funciona assim, eles vão entrando sem bater, acho estranho tanta agitaçao e me levanto, pedindo pra voltar pra cama, mas nao tem jeito, almoço meu café da manhã e aviso que nao quero ir fazer o passeio, ai fico sabendo o pq da agitaçao na casa, durante a noite a irma da dona Juana faleceu, todo mundo agitado, o pai foi ver os preparativos para o funeral, hj é o dia em que vou pra Taquile, que constrangimento, alguem da familia teria que me levar pra tomar a lancha, fico pensando o que vou fazer, resolvo avisar que podem pedir pra outra pessoa me levar até o ponto de encontro, desde que ela saiba onde é nao tem problema, foi o que eu imaginei

- 8 horas da manhã -  dou pesames coloco a mochila nas costas, bolsa a tiracolo, pareço uma mula, mas como é só descida tudo fica mais facil. Depois de uma caminhada de uns 2km chegamos no embarcadeiro, o rapaz ( 15 anos talvez ) que me acompanha pega o barco, encosta e me ajuda a subir, da-lhe a remar no meio do lago e eu me sentindo no meio do nada... talvez 40 minutos a 1 hora depois ele para e se senta, pergunto - cade o cais onde vou pegar a lancha?



O cais não existe - vou mudar do barco para a lancha no meio do lago. 

O que me restou foi uma respiração profunda.

- 2 horas depois - as lanchas começam a passar mas nenhuma para, começo a ficar mais preocupada, tenho sede, o pé continua a doer, mas o jeito é esperar.

- 1 hora depois - já senti a temperatura do lago, vi patos nadando e um monte de lanchas passando, o menino me olha e diz que acha que a lancha nao vai chegar, momento de completo pavor, ali no meio do nada, a familia nao iria estar em casa, eu nao tinha como voltar.

Parei, respirei, pensei na tela azul do pc, ou na tela azul da vida ( crash ) olhei pro fundo do barco procurando alguma coisa com que eu pudesse sinalizar, perguntei se havia uma policia no lago, nao havia esta possibilidade, o único recurso eram 2 pedaços de pau e um trapo vermelho, nao tenho dúvida e nem outra opção, pego um pau amarrro o trapo, pego o outro, levanto no barco, morrendo de medo de cair, começo a sinalizar com os braços levantados, as lanchas continuam passando sem parar, grito para as lanchas que fui esquecida, help me, rescue, nada adianta, estou com muito medo sem saber o que fazer se alguem não resolver parar, o celular nao funciona, nao tem fone no povoado, nao tem taxi. 


Continuo a agitar os braços, uma lancha diminui a velocidade e para, explico rapidamente que fui esquecida no lago e que minha embarcação não chegou, jogo a mochila, a bolsa e dou um jeito rápido de entrar na lancha, antes que resolvam me deixar por ali, quem me atende pede que eu fique sentada e calma. A lancha finalmente parte, estou querendo matar quem acertou o ponto de encontro! 
Como deixam uma pessoa no meio do lago, quem fez este acerto foi a agência www.capachica.com. que diga-se de passagem até hj nao responde aos meus mails, estou esperando até segunda - feira e vou fazer uma reclamação formal ao promperu. 
Já perdi a noção do tempo, tenho mais 3 horas na lancha até a ilha. Finalmente avistamos a ilha, podemos chegar por 2 lados, o porto principal onde só temos que subir 530 degraus, bem altos, e pelo outro porto, onde em vez de degraus temos uma rampa sem fim, sei o nome de quem devo encontrar, Alipio - alcaide rural da ilha, não deve ser complicado. O capitão me fala pra ir até a praça central e pedir informação, deve ser fácil encontra-lo.
A lancha atraca e creiam que o desembarque é feito com os passageiros passando por cima dos barcos já atracados, uma coisa um tanto confusa e perigosa. Consigo passar por esta prova de de sobe e desce em barco atracado, eles se movimentam e os passageiros e tripulação vão tentando ajudar uns aos outros, meu medo ainda nao passou totalmente, a irritação continua. Dou uma olhada em volta, tipo reconhecimento do local da guerra, vejo uma cabine que vende os tickets de entrada na ilha é ai mesmo que eu vou parar e ver se localizo o Alipio, foi mole, perguntei por ele e expliquei o que havia acontecido, imediatamente um senhor saca um Nextel e o chama. Todas as embarcaçoes já haviam chegado e o Alipio tb estava apavorado pq eu não fui encontrada no local onde deveria estar, ele pede que eu vá até a praça central, estou numa altitude de 4 mil metros, tenho que subir muito até a praça, olho pra mochila ela olha pra mim ... falo com o senhor que não tenho condições de subir com a minha tralha pessoal, uma vergonha alguem que não consegue carregar a sua pp bagagem, sempre achei isto horrivel, mas não tem jeito, nem tento. Sou orientada a deixar a mochila que depois alguem vem pegar. Impressionante como esta atitude mudou o meu estado de espirito, me senti protegida, que o pesadelo tinha acabado. 
Da-lhe subir, a respiração falta, o coraçao dispara, paro descanso continuo a subida, não existia na minha cabeça a possibilidade de não conseguir, turistas que desembarcaram comigo perguntam como estou e quem vou encontrar, a subida segue ingrata e ingreme. 
Derrepente vejo um homem pequeno, magro vestido de negro, ele fala com turistas que apontam pra mim, era o Alipio, me senti salva!
Ele chega dizendo como ficou preocupado qdo eu nao apareci no porto principal, já tinha ligado pra agência e eles nao sabiam de mim. Ele pede que eu descanse e vai buscar a minha mochila, vai correndo e volta correndo, eta pulmão de aço! a subida continua, eu peço coca pra mascar, mas ela não me ajuda muito, o cansaço ta enorme... lembrei de uma planta de um guia me deu em outra viagem ao Peru, nao sei o nome, descrevi pra ele, é a munha que ele olha em volta e vem com um punhado, ela abre a respiração, continuamos andando. Naquele momento eu achei que a caminhada não iria ter fim, ai que vontade de uma mula. Ele abre um portão de pedras ou seja um montinho de pedras empilhadas, passamos e chegamos na sua hospedaria. 
Eu fui direto pra cama, tinha que descansar. 
Pouco tempo depois me chamaram, hora do almoço, que sensação boa, comida pra reconfortar a alma, agua, mate de coca, tudo o que eu queria naquele momento. A hospedagem é o paraiso, um lugar lindo, florido, organizado, aqui tem até banheiros com vaso sanitário de louça e pia com agua corrente pra lavar as mãos. Eles tem hospedagem pra 20 pessoas, tudo muito legal e a comida é ótima - 20 soles por dia - 14 reais. A tarde durmo um pouco, acordo e vou pra fora tomar sol, turistas italianos passam voltando de um passeio, já é hora do jantar. O dia vai caindo e o lago escurecendo, estou bem agora, a familia é muito legal, sentam a mesa, só os homens, um toca flauta andina no jantar, a mágica voltou, amanhã o programa é passar o dia aprendendo a tecer, tingir e fiar, estou animada, aqui só os homens podem fazer tricot, aprendem na escola a partir dos 8 anos de idade, eles convesam, andam fazendo tricot e é claro que pra deixar a gente morrendo de inveja com desenhos. Uma curiosidade - a agulha de uma lado é de crochet a outra ponta de trico, tecem tudo com 5 agulhas finissimas acho que 1,5 mm. 

Uma estória pra contar pros meus netos, O Resgate no Titicaca    
amanhã tem mais